Um marginal em meio à nova geração eletrônica

No Brasil, videogame novo é vendido a peso de ouro

Quem lê o blog e não me conhece deve pensar que eu odeio tudo. Mas não. Há coisas que eu adoro fazer. Uma delas é o videogame. Chamem de nerd, como quiserem, mas a verdade é que desde que me conheço por gente eles estão na minha vida e com certeza sempre estarão. Estou nessa desde os quatro ou cinco anos de idade e já passei por Atari, Master System, Mega Drive, Super Nintendo, Nintendo 64 e Playstation 2. Meus pais já gastaram uma nota em consoles e jogos para mim, principalmente quando era preciso adquirir os originais. Com o PS2, e com o surgimento de barba e vergonha na minha cara, isso deu uma sossegada.

Estava tudo muito bem, tudo muito legal, até que, dia desses, um japa filho da puta da Sony acordou e disse:

– Shakimexi Nakara putagura picofu dermura Rafael né?! (Tradução: mas que belo dia para fuder um filho da puta chamado Rafael né?)

Sim, o miserável do japa criou todo um sistema visando única e exclusivamente foder um rapaz branquelo, alto e narigudo que mora do outro lado do mundo. O cretino criou uma forma de vencer a pirataria. Ou seja, a poderosa, invencível e ABENÇOADA pirataria foi vencida e agora temos que comprar jogos originais. Só o console é mais de mil reais, imagina pagar 200 conto no mínimo por um jogo? Já perdi as contas de quantas merdas eu já comprei, joguei cinco minutos, e viraram frezbie de cachorro, peso de papel, encalço para cadeira e mesa. Seria muito mais drástico agora, que EU teria que pagar com o MEU dinheiro. Tragédia. Esse japa filho da puta deve ler este blog e procurou motivos para um novo texto, só pode ser.

Enfim, após anos de Nintendo 64 e Super Nintendo, com seus jogos caríssimos e originais, prometi a mim mesmo NUNCA MAIS COMPRAR UM JOGO ORIGINAL. Sim, eu compro PIRATA e enquanto não pagarem salários que possam pagar mídias originais eu continuarei comprando PIRATA. E não me venham com papinho de pirataria é crime e blábláblá. Crime é o assalto de comprar 200 mangos num jogo. “Mas a pirataria alimenta o tráfico.” HUAHUAUHUAHAUH! Os caras que estão lá fazem isso porque são desempregados nesse sistema de merda que vivemos. Quer dizer que cinco reais que pago num DVD vai alimentar o crime nos morros? E eu sou idiota? Posso ser com algumas coisas. Entretanto, neste aspecto não. Joguinho de peso na consciência comigo não cola.

Pau no c* desses miseráveis que cobram uma fortuna de impostos e fazem o jogo chegar aqui pelo quádruplo do preço. A solução contra o fantasma da pirataria é o bom senso. Influenciem a compra de originais dando um preço justo, não com propagandinhas de merda! Minha consciência vai pesar se eu pagar 200 pau em um jogo, não por comprar pirata e estar supostamente ajudando o crime. Pff, algum imbecil caiu nessa? Não só compro como faço amizade com os manos da barraquinha, sou um associado do crime agora?

Bom, eu não pretendia ficar fora da evolução do videogame. Vencido pelo japa miserável da Sony, passei a ver o Xbox-360 com bons olhos. Jogos piratas! Viva a pirataria! Mas, e na minha vida as coisas boas sempre vêm acompanhadas de um “mas”, estou me acostumando a levar um duro golpe após momentos de felicidade. Alegria de azarado dura pouco. Se comprasse um desbloqueado, que aceita games falsos, não poderia jogar nada online. Se jogasse, a Microsoft, que faz o Xbox-360, identificaria meu aparelho desbloqueado e o baniria da Live, o servidor que permite esse acesso. Ficaria com um vídeo-game impossibilitado de conectar à internet para sempre.

E volta o cão arrependido, com seu nariz farto, a carteira roída, atrás de uma nova alternativa. Com o rabo entre as patas, dividi em várias vezes um computador novo. Vários gigas de memória, HD, processador ótimo. Pronto, jogarei as bagaças no PC. Adquiri um controle tals, comprei jogos PIRATAS liguei meu novo computador e… E… Não deu. Ficou para a próxima.

Quando se trata de Razinho as coisas são bem mais complicadas que o normal. O PC não rodava os games fodões. Precisa de um tal Shader Mode 3.0 ou superior para dar certo. Eu, inocente, para não dizer burro, procurei no Google na esperança de baixar o tal Shader Mode 3.0, instalar e poder jogar tranquilamente. Afinal, eu só quero jogar, CARALHO! É pedir muito isso???

O tal Shader Mode 3.0 não é para ser baixado e sim comprado. Indicava que a placa de vídeo do meu PC precisava ser mais avançada. No entanto, a força superior me fez nascer com algo chamado persistência. Afinal, não teria graça zuar um cara que desistisse fácil. Então é uma característica boa para mim e para a temida força superior, pois assim ela pode me zoar à vontade, muitas vezes.

Fui atrás da PORRA da placa de vídeo:

– Cerca de 300 reais no seu cartão Mastercard.

– Certo ok, vou levar então.

– Ah não esqueça da fonte hein?

– Fonte? Como assim?

– Sim, precisa de uma fonte de energia para suportar a placa.

– Tá, quanto custa isso?

– 200 reais

– FUUUUUUUUUUUU

É senhoras e senhores. Cá estou, totalmente avesso às novas tecnologias de videogames. Logo eu, que sempre fui um aficionado. Fui obrigado a recuar e esperar. Logo eu novamente, que odeio esperar. Se eu já não tinha grana antes, agora que comprei o PC na esperança de poder jogar e fracassei tenho menos ainda. Agora vou-me, jogarei PACIÊNCIA no meu PC novo de última geração.

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Published in: on junho 30, 2010 at 6:54 pm  Comments (8)  

Quando tudo dá errado em dia de dilúvio

Eu pedindo carona a Noé

(Galera, eu comecei a escrever este texto no ano passado e ficou incompleto. Portanto, estou finalizando ele só hoje e publicando no blog. Ando meio sem inspiração para nada, inclusive mandar quem não comenta à merda. Bom divertimento)

Não sei se vocês sentiram falta dos textos no blog, já que faz mais de duas semanas que não tem nada novo aqui, mas uma coisa é certa: a força superior, aquela que racha o bico da gente e nos pega para Cristo de vez em quando, sentiu. E tratou de me proporcionar assunto para escrever um novo texto. Tudo começou com uma noite mal dormida. A falta do que fazer no feriado me fez ficar jogando no computador o dia inteiro. Então, na hora de dormir meu cérebro não parava de bolar estratégias para uma missão impossível que ainda não passei. (hoje eu já a conclui, informação inútil, mas é bom ressaltar)

Logo depois que consegui dormir senti-me escorraçado do meu ninho por essa força superior. Dizendo: levante-se idiota. Teremos um longo dia pela frente. Abri a janela: um dilúvio de causar inveja a Noé. E eu tinha esquecido de construir a minha arca. A força superior, que adora me foder, coincidentemente esqueceu de me avisar. Enfim, não consigo nem salvar um animal, no caso eu mesmo, imagina juntar um casal de cada espécie. Deve dar um trabalho absurdo. Que vão todos para o inferno mesmo.

Fui pegar o guarda-chuva para enfrentar esse dia maravilhoso, pós-feriado, pós-noite mal dormida e… cadê? Minha irmã ou minha mãe já tinham levado. Ótimo. Corri debaixo de um dilúvio até o ponto de ônibus e fiquei em pé nos banquinhos, amaldiçoando a todos. Entrei no busão, corri de novo embaixo do pé d´água e cheguei no metrô. Fui passar o bilhete único e aconteceu algo inesperado:

a)      Não tinha crédito

b)      Deu pau no sistema e tava com mil reais no cartão

c)      Estavam premiando o idiota que aparecesse mais molhado no metrô e eu fui o vencedor

d)      Uma mulher linda, molhada, de camiseta branca, sensual, pediu para pagar a passagem dela e nos conhecemos melhor, se é que me entendem

Eu sei que os testes estão cada vez mais difíceis, é praticamente impossível prever o que acontece comigo não é verdade? Mas é um bom treino pro pessoal que vai fazer vestibular. Hilário Diário também é estudar. Acertou quem disse que o cartão não tinha crédito. Abri a carteira pra carregar o bilhete e… Tá bom chega de múltipla escolha, não tinha dinheiro. Nada, nem um centavo. Eu tenho mania de andar sem grana, pago tudo no cartão. Mas o destino gosta de fazer uma brincadeira chamada “dane-se Ra” (à lá Moe Szyslak). Eles aceitam todos os cartões, MENOS o Visa. E eu, claro, uso qual cartão? O Visa! Não percam a contagem:

Terça-feira pós-feriado de merda

Noite mal dormida

Manhã de dilúvio

Sem guarda-chuva

Já bem molhado

Minutos que pareceram horas ilhado em cima do banquinho do ponto de ônibus

Bem atrasado pro trampo

Bilhete único sem crédito no metrô, sem dinheiro pra recarregar e não aceitava meu cartão de débito.

Não preciso dizer que nessa hora eu já estava um pouquinho nervoso. Afinal, já tinha levado um fatality na cara, seguido de um brutality e de um humilhation. Mas enfim, eu só tinha que subir uma ladeira, uns três quarteirões, embaixo de um DILÚVIO, sem guarda-chuva. Até aí tranqüilo né pessoal? Quem nunca fez isso?

Quem mora em SP sabe que todas as estações de metrô tem uns vendedores de guarda-chuva. Desempregados à espera de um fudido como eu para vender seus produtos de qualidade de merda admirável. E eles são como cães, animais que pressentem o dilúvio e antes do mesmo acontecer já estão lá. Fui negociar uma sombrinha com o cidadão. Vocês devem se perguntar: mas você não tinha grana nem pro metrô teria pro guarda-chuva? Não, não teria, mas fui negociar com o miserável mano.

– Brotheeer (à lá Samuca), seguinte bicho. Fui passar o bilhete único e deu sem crédito, estou sem um centavo e preciso ir até o banco pegar grana. Tem como você me adiantar um guarda-chuva na volta eu te pago?

– Sei não hein véi? Não costumo fazer isso.

– Sério cara, confia em mim, eu volto pra te pagar. Se eu for nessa tempestade até lá fudeu ferrou de vez.

Ele aceitou ou não? Fica para o próximo texto, aguardem 😉

Zoeira, zoeira. Não darei uma de João Kleber, aquele filho da puta que me segurava duas horas com um caso ridículo e no final não contava o fato.

Após duas horas e 10 intervalos:

-Depois do intervalo! Não sai daí! Você vai saber o que aconteceu com essa mulher! É incrível! Impressionante!

Depois de cinco minutos de intervalo:

– Não temos mais tempo, tchau Brasil! Até semana que vem!

Maldito, miserável, cretino, lazarento. Ainda acabo com você por ter me feito de trouxa tantas vezes seu filho da puta. Enfim, o cara aceitou. Acreditem se quiser. Peguei um guarda-chuva de cinco reais e sai no dilúvio. Antes da metade do caminho o guarda-chuva virou, estraçalhou com o vento. Eu correndo e tentando desvirá-lo, me molhando ainda mais, desespero. Fui atravessar uma rua alagada e tentei pular uma poça gigante. Saltei e enquanto eu estava no ar, percebi que o pulo não fora suficiente:

– NUUUUOOAAAAAAAAAOOOOOOOO!!!! (“não” em slowmotion)

Paaaa! Me molhei mais ainda porque afundei o pé na poça e molhei toda a perna com o impacto. Correndo com o guarda-chuva virado. Encharcado pra cacete, seis quarteirões depois, cheguei.

– Está aqui o dinheiro e pode ficar com esse lixo de guarda-chuva. Estraçalhou antes da metade do caminho.

Deixei no chão ali e o cara, sem graça porque muita gente estava olhando, me deu outro dessas lixeiras. Carreguei a porra do bilhete e fui embora. Chego no trabalho e ainda ouço minha coleguinha:

– Ai que cara hein Rafa?

Vontade de falar:

– Se vê? Logo depois de um feriadão prolongado e eu com essa cara de cu. Essa cara de merda. Sou um filho da puta mesmo né? Fala a verdade? Merecia ter uma manhã dos infernos pra aprender a ter vergonha na cara.

Enfim, escrevi demais. Depois de tudo, ainda passei o dia com a calça jeans e a meia encharcadas, sugando todo o calor do meu corpo. E peguei um resfriado daqueles. Mas o que importa é que a força superior se divertiu e vocês, provavelmente, também.

Published in: on junho 8, 2010 at 7:14 pm  Comments (6)