Como ficar feliz após perder um ônibus?

Fala galerinha do mal.

Estava pensando comigo mesmo dia desses, inclusive me esqueci de postar no blog, mas lembrei hoje. Vocês se lembram quando caiu o avião no meio do Atlântico ano passado, sem sobreviventes? Ficou uma cara o avião sumido tals, depois acharam os destroços e corpos no meio do oceano… Lembram?

Então, me recordei agora pouco que estava em casa vendo uma reportagem sobre o assunto e apareceu um cara mostrando a passagem do avião que caiu. Era para ele ter entrado no avião, só não embarcou porque chegou atrasado no aeroporto e, com isso, escapou do vôo da morte.

Imaginei o cidadão puto da vida porque perdeu o avião. Esbravejando, xingando etc. Depois ele sabendo que o avião caiu, que era para ele estar lá e ficou vivo apenas porque chegou atrasado. Imaginem a felicidade por ter perdido o avião e sobrevivido ao que seria sua morte certa? A raiva virando uma alegria, meio contida por ter tantas mortes é verdade, mas no fundo uma enorme felicidade.

A partir disso, sempre que eu perdi um ônibus torci para que ele capotasse, explodisse e não houvesse sobreviventes. Só assim para eu ficar feliz pelo menos uma vez na vida por ter perdido aquela merda. Aquele que passa bem na minha frente logo depois de um árduo dia de trabalho. Me pego pensando: “Eu perdi o ônibus porque morreria se eu o pegasse. É isso aí, pegarei o próximo, é mais seguro.”

Tento pensar assim sempre, principalmente após perder aqueles que eu ainda corro pra tentar pegar, aceno para o motorista apenas a cinco metros de distância do ponto e ele olha com uma cara de: “Espera o próximo, otário!” E eu respondo mentalmente: “É? E você vai capotar seu filho da puta, está olhando para o único sobrevivente desta merda! Seu bosta, você salvou minha vida!”

 Como esse pensamento é um pouco maléfico, tentei imaginar outras situações que me deixassem feliz caso eu perdesse um ônibus na volta para casa. Não consegui… O ônibus capotar e explodir seria a ÚNICA forma de eu ficar contente logo depois de perdê-lo. Pode parecer canalha a constatação (à lá El Muertos), mas é a mais pura verdade. Já me vejo chegando em casa, após 30 minutos a mais esperando a merda do busão e saindo de um trânsito apocalíptico. Ligo a TV e vejo a chamada do âncora do jornal após a arrepiante musiquinha do Plantão da Globo, que aparece em casos de extrema emergência:

 (Vinheta infernal) Tam tam tam tammm tammm tam tam tam taaaammm! Tam tam tammm tammm tammm tam tam tam tammm tam tammmm TURUMTUM!

“E atenção, o ônibus Jardim São Savério (ou Pq. Bristol) perdeu o controle e capotou durante o trajeto blábláblá… não houve sobreviventes…”

Cena do plantão da Globo mostrando o ônibus que eu deveria ter pego

E eu em casa, após passar o medo que tenho da musiquinha do Plantão Globo:

– MEU DEUS ERA PARA ESTAR NESSE ÔNIBUS!! Se eu tivesse subido a ladeira mais rápido eu teria morrido!!! Óh céus muito obrigado! Obrigado Senhor!

Dando entrevistas para o Jornal Nacional: “olha, foi questão de segundos eu não ter pego aquele ônibus viu? Tenho ainda mais claro que minha missão neste mundo está longe de terminar…”

Enquanto isso não acontece, continuo praguejando e amaldiçoando cada ônibus que passa por mim na distância exata para eu vê-lo e não conseguir pegá-lo.

Obs: Se você é motorista de uma dessas linhas, fique atento a um rapaz branquelo e narigudo correndo… Se o ver, é melhor parar… Você foi avisado.

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Published in: on abril 14, 2010 at 8:33 pm  Comments (6)