A verdadeira minoria da sociedade

Ah se um caucasiano faz uma brincadeirinha inocente dessas. "Não vote em preto"

Ah se um caucasiano faz uma brincadeirinha inocente dessas. "Não vote em preto"

Durante nossas vidas, sempre ouvimos discursos inflamados sobre a dificuldade das minorias neste País. O preconceito sofrido pelos negros, a terrível luta pela valorização da raça etc. Ou então as mulheres revoltadas por não terem o mesmo salário dos homens, por apanharem, por acumularem tarefas como cuidar da casa, dos filhos, trabalho etc. Os idosos! Ah os idosos, como reclamam! “Ninguém valoriza o idoso neste País! A experiência, blá blá bla” com aquela voz de seu Bernabé, típica de idoso.
Considerando isso, me vejo no direito de fazer uma constatação: é duro ser um homem branco, de origem caucasiana, jovem, saudável e de boa família neste País! Sim, a classe mais desvalorizada do MUNDO é a citada acima, a qual eu me incluo. Simplesmente porque somos vistos como os mais beneficiados da humanidade. Por acharem que não sofremos com o preconceito, não temos obstáculos impostos pela sociedade, ou dificuldades físicas etc etc etc. Na minha concepção, só de pensarem assim já caracteriza um preconceito.

A “classe A” da humanidade (homem, jovem, branco, caucasiano) não apita NADA por aqui! As “minorias”, com seus discursos de eternas vítimas, chupinham a gente até dizer chega. É lei favorecendo isso, favorecendo aquilo, tudo buscando uma suposta “igualdade” que acaba desequilibrando os direitos. Afinal, somos ou não somos todos iguais perante a lei?

Comecei a perceber isso quando meu pai justificou que quebrava cadeiras ou pratos em discussões com minha mãe porque objetos não têm sindicato (por enquanto). E é exatamente isso. Meu pai é da classe dos supostos “superiores” da sociedade. Se ele desse um pé na minha mãe o que aconteceria? Era delegacia da mulher e o escambal batendo na porta. E se fosse o contrário? Minha mãe socando ele? Quem defenderia? O sindicato dos homens brancos? Hoje meu pai está feliz com o estatuto do idoso debaixo do braço.

É tanta imposição que não podemos nem nos orgulhar de ser como somos. Um negro com uma camisa 100% negro é bonito. “Ele tem orgulho da raça, das lutas enfrentadas pela etnia negra!” Concordo, acho bonito isso. Agora, e o caucasiano pode se orgulhar de ser assim? Jamais! Eu sou um miserável, cretino, leitoso que tenho que ficar na minha, quietinho. Uma camiseta 100% branco e seria espancado na rua. E sem direito a estatuto para recorrer!! Tenho vários amigos negros gente finíssimas e não posso se quer chamar um, carinhosamente, de crioulo safado que sou indiciado por racismo! E se eles quiserem podem me xingar tranquilamente! “Branco sem vergonha! Seu branquelo maldito” e quem ouve dá risada!

Não sei se vocês sabem, mas o Netinho, aquele do Negretude, Negritude sei lá, montou uma emissora de TV que só contratava negros! Putaqueopariu, se eu monto uma rede de comunicação e digo “aqui só entra branco” eu estou é fudido! Ou não? Ou não virá televisão, rádio, jornal, juizado, sindicato, poder legislativo e o escambal me foder?

Tenho que ficar na miúda. Se eu xingar um velho é estatuto do idoso, alguém de etnia diferente é racismo, uma criança pé no saco chorando no ônibus é ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). Se meter pau em bandido vem o pessoal dos direito humanos me encher o saco! Seguro de automóvel é mais caro para a classe dos jovens e homens (nessa as outras raças estão comigo, se fodem junto). Qualquer tipo de fila também. É preferência pra idoso, para mulher gestante, para obeso, para deficiente, para criança, para tudo! Nem lembro a última vez que pude sentar num banco de transporte público. Eu sentado em um ônibus é uma afronta para a sociedade! Mesmo que tenha lugar sobrando!!!

A verdade é que criaram tantas chorumelas visando a igualdade que acabou ficando desigual para a classe dita favorecida. Criaram uma nova minoria: a de quem não pertence a nenhuma ‘minoria”. E as cotas de vestibas então? Que agora por ser branco de uma classe boa você tem que tirar notas bem maiores para passar? Com certeza é mais fácil implantar isso do que valorizar e incentivar o ensino público concorda? Ou dar oportunidade de crescimento ao jovem de classe pobre, acordos com faculdades públicas para abater a mensalidade deles etc. É mais fácil pôr no c… da dita “maioria” e aí dela se reclamar. Afinal, ninguém quer ouvir, pela milésima vez, todo o discurso de como meus antepassados foram filhos da puta e agora eu tenho que pagar pelos erros deles.

Isso é para entenderem que não tem classe favorecida ou desfavorecida, todo mundo se ferra de alguma forma. E só não mando todo mundo à merda porque sei que tem japa, tem negro, tem mulher e tem idoso lendo isso aqui!

E tenho dito! 

Para não dizer que não falei das flores…

No texto original esqueci de falar de uma classe que vem conquistando direitos especiais atrás de direitos especiais: a dos homossexuais. Foi-se o tempo em que eu podia chegar para um brother e zuar:

– Huuuuuuuuummmmm meninaaaaaaaa! Mas é uma bichona mesmo!

Fudeu. Já vem alguma  bicha pessoa da classe proteger os direitos do meu amigo. “Se ele é gay deixa ser tá? Vamos A-GO-RA para a delegacia resolver isso!” Bicha, homossexual, gay, viado, simpatizante não quer dizer tudo a mesma coisa? Gente que gosta do mesmo sexo? Então porque tanta revolta em discrepância de termos? Deus salve os sinônimos! A diversidade do vocabulário MENINA!

Se bem que, pensando bem, o jeito mais rápido de conseguir apoio em um estatuto, sendo branco, homem, jovem de boa classe social seria virar gay não?

Huuuuuuuuuuummmmmmmmmmmmmmmmm!!!!!!!!!!!! 

Estatutos na escala do terror

É nota DEZ! Mexe com tudo, psicológico por ter que ficar me policiando para fazer qualquer coisa. Mental porque dá uma dor de cabeça fudida encarar um processo. E físico porque haja trabalho para pagar tanta imposição da sociedade.

obs: isso aqui é uma brincadeira hein? Sem revoltas e discursos daqueles. Ou processo no estatuto de sei lá quem.

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Published in: on outubro 9, 2009 at 4:31 pm  Comments (7)  

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7 ComentáriosDeixe um comentário

  1. “Toda brincadeira tem um ponto de verdade…”

    E tenho dito!

  2. CONCORDO!!!!!!!!

    PQP, é sempre a mesma novela mexicana “pq os brancos isso… os brancos aquilo… os antepassados pra lá… os antepassados pra cá”

    Quer um preconceito maior que implantar cota pra negros?

    Isso é uma busca que só caracteriza a falta de capacidade de um negro fazer o mesmo que um branco! Ou seja o “joãozinho negro” da escola pública é PIOR que o amiguinho de classe “pedrinho branco”, da mesma escola pública.

    Não sei até onde isso foi para frente mas ouvi há um tempo atras algo semelhante só que para aumentar a pontuação dos orientais… “japoneis é inteligente né?”

    Porra PRECONCEITO DO CARALHO BANDO DE FDP!!!
    Vai nascer japoneis, chines pra ver o inferno que é a infancia das criancas… graças a DEUS minha mãe é brasileira, um misero 9,75 de MÉDIA em matematica já era motivo pra ficar sem sair na rua, isso visto pelo meu pai que é chines… corretivo? Estudar mais, brincar menos! A diferença de raça nao muda a inteligencia das pessoas mas sim a DISCIPLINA adotada na infancia.

    No futuro quem vai ser melhor nos estudos, o kojima que estuda que nem um FDP e não teve infancia ou o “joaozinho negro” que so quer saber de jogar bola?

    Ai se for bem sucedido bom pra ele jogador de futebol ganha muito mais que qquer maniaco por estudo, se nao der certo… “tadinho dele, não teve a mesma oportunidade na vida…”

    Chega de escrever isso me irrita!

    PRECONCEITO SOFRO EU, que de tantas minorias se tornaram maiorias exatamente como o texto acima exemplifica.

    Abraço sangue, belo forma de dar um grito de LIBERDADE!

    FREEEEEEEDDOOOOOOOOMMMMMM by WILLIAN WALANCE! (do filme coração valente)

  3. ….agora quanto a lugar pra se sentar no ônibus….pelo menos o que vai até o Metrô Santa Cruz está batendo record de crianças e idosos, principalmente na parte da manhã….acho que vou começar a colocar uma barriga falsa, estilo “9 meses”, kaakakaka.

    Como sempre, muito bons seus posts.

    Bjs.

    • huahaua lembrei do que minha cunhada contou… tinha um caixa preferencial VAZIO num supermercado e os outros caixas “normais” com filas gigantescas! Ela pegou o braço do meu irmão, encenando que estava grávida e passou de boa no caixa preferencial hehehehe

  4. A Po tentou comentar mas não está indo, portanto vou postar o coment dela:

    “Ei mas quem disse q vc não está numa classe de minoria vista com preconceito? sim, a dos magrelos.. hihihiihi brincadeira! É que não adianta, todo mundo vai ter algo a ser alvo de preconceito, as pessoas em sua maioria sao fdp kkkk
    Só de criar cota pra isso, fila preferencial pra aquilo, dia dos negros, dia das mulheres, etc.. já prova que existe o preconceito! Senão nao tinha nada dessas merdas, cada um respeitando o outro e se virando… mas isso nunca vai acontecer.
    Qto ao assento no transporte coletivo… ah eu fico puta mesmo quando tem um cara jovem, forte sentado no busão e eu magrela, em pé, segurando uma bolsa pesada pra kralho (pq tenho q trazer quase a casa inteira pro trampo) e o fdp nem se oferece ao menos pra segurar minha bolsa.. rs”

  5. E quem nunca passou por uma situação assim??
    Eu tenho uma que não esqueço até hoje.
    Eu deveria ter uns 9 ou 10 anos e, na escola, chamei minha coleguinha (afrodescendente) de Nescau e ela não deixou por menos, me chamando de Leite Ninho. E adivinha quem foi taxada na escolinha de racista? A branquela aqui, é claro!

    Pode ser uma histórinha boba, mas ela nos mostra como somos “condicionados” a respeitar as “minorias” desde cedo. E a gente?? A gente que se f***

    ADOREI o texto Rafa!
    Para mim, foi o melhor até agora.

  6. CONCORDO COM VC 100%. Também sou da “minoria” trabalhadora que sustenta esse país de bananas. Branco, pai de família, formado e pago IRPF. Eu estou F*, enquanto que “eles” estão se esbaldando.


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