Choro de criança: o toque final de um caos

Choro de criança: nota 8,6 na escala do terror

Choro de criança: nota 8,6 na escala do terror

Todo o caos que se preze tem que ter um choro de bebê como trilha sonora. Não sei direito o que acontece com o nosso organismo ao ouvir uma criança abrir o berreiro, mas dá um nervosismo, um desespero, aflição… Uma soma de sensações que, inclusas num determinado momento, pode causar horror, algo totalmente aterrorizante. O choro é o último toque da receita, o tempero final na criação de uma situação infernal no nosso cotidiano.

 

Vou criar uma circunstância terrível para exemplificar o que quero dizer: ônibus lotado (desagradável) + gente te encoxando (horrível) + trânsito enorme (desesperador) + vidros fechados e embassados por causa da chuva (caótico) + choro de criança= FATALITY. É o final do combo atordoante, o voilà da criação de algo pavoroso. Mais um exemplo para ficar bem claro: supermercado (desagradável) + lotação em véspera de natal (horrível) + fila gigantesca do caixa (desesperador) + discussão e empurra-empurra no meio da multidão (caótico) + choro de criança = BRUTALITY! É game over na hora amigo, sua mente sempre se lembrará desse fatídico dia. Sem contar que é uma tortura, quanto mais tempo você fica sob o efeito do choro, e quanto mais alto e agudo ele for, mais marcante será.

 

Eu imagino que, por presenciarmos situações assim, passamos a associar o choro de criança a algo desesperador. O jornalista usa essa arma de forma constante para chamar a atenção em suas reportagens. Quantas vezes vimos matérias na África, com garotinhos magérrimos, doentes, sem ter o que comer, com as mães desesperadas e, de fundo, o choro de criança? Ou qualquer outra matéria com alguém sofrendo? Quando querem chamar a atenção e mostrar o caos que está acontecendo eles usam isso, podem reparar. Acreditem, há uma disciplina secreta na faculdade de jornalismo só para o choro de criança. Como presenciamos esse fator desde pequenos, passamos a tê-los gravados no nosso inconsciente. Ele passa a ser interpretado como algo que pode incomodar, ainda mais quando é somado a outros fatores horrendos como os descritos acima. Um atenuante de classe para uma vivência traumatizante.

 

Mais irritante que o choro de criança é o choro de duas crianças ao mesmo tempo. Puta que pariu, aí FODEU de vez. Mas, falando sério, mais irritante mesmo é o choro injustificável. Aquele de manha mesmo, de querer que a mãe compre algo que ela não tem dinheiro, ou porque quer ficar zanzando pelo supermercado e os pais puxam para a sessão de legumes etc. Esse tipo de criança eu penso na hora: “Ah se fosse meu filho. Faria como minha mãe, dava aquele olhar de `vou te matar seu miserável` que eu sacava na hora. E se continuasse rachava na parede. Deus que me perdoe.

 

O choro na escala de terror

 

 Para definir o quão destrutivo algo é em nosso cotidiano, criei a escala do terror. Vamos à análise final. Para um momento nos despertar nervosismo, tristeza e desespero, é preciso uma conjunto de fatores. É necessário afetar o estado físico, mental e psicológico, de preferência ao mesmo tempo. O choro de criança mexe com o mental, o psicológico e, por que não, o físico? Já que dá uma dor de ouvido do caral… Além disso, tem uma alta capacidade de traumatizar e tornar uma situação pavorosa em algo inesquecível. Apesar de seu poder devastador, ele precisa de outros fatores somados para causar um grande impacto. Na escala do terror, que vai de 0 a 10, dou um 8,6 para a capacidade de destruição que esse fator pode causar.

 

Não venham me dizer que eu já fui criança e já chorei muito blábláblá. Minha mãe pode dizer que quase não chorei naquela época. Só dormia e mais nada. Ô tempo bom… Tenho certeza que Deus vai escolher um filho como eu, pois Ele só nos dá o que podemos suportar, e criança abrindo o berreiro toda hora é, definitivamente, algo que não poderei aguentar. Huahahaha!

 

Quem ler o post, não esqueça de criar sua própria receita de caos, como eu fiz com o ônibus e o supermercado. Sem esquecer, é claro, da pitada final, o segredinho de um belo prato de desespero: o choro de criança.

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Published in: on maio 31, 2009 at 10:19 pm  Comments (12)  

Quando o Universo conspira para te f…

Quanto mais ferrado você está, maior a chance disso acontecer

Quanto mais ferrado você está, maior a chance disso acontecer

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Há pequenas coisas do nosso maldito cotidiano que, definitivamente, são feitas para nos irritar. Não é coincidência, é proposital, como se o universo conspirasse para te fuder mesmo. Não sei o motivo disso, talvez essa força superior se divirta ao nos ver praguejar, xingar e todo o ritual que antecede uma bela sacanagem desse poder maior.

Por exemplo, semana passada eu tava saindo da academia, exausto após trabalhar e treinar. De noite, um frio glacial, garoa fina, fome e eu subindo a ladeira para pegar o ônibus. Ladeira, aliás, que está cada vez mais longa e íngreme. Quando eu chego ao topo do morro quem eu vejo passar? O maldito ônibus. Porra, por que eu teria que ver o ônibus passando na minha frente após um dia fudido? Não poderia ter simplesmente perdido o transporte sem saber? Assim ficaria na inocência, achando que logo mais ele chegaria e poderia ir para casa. O tempo passa mais rápido quando se acredita que ele está chegando do que pensando: “acabei de perder um, to fudido, mais uma hora esperando.”
Agora, se eu subisse o morro um mísero segundo atrasado não presenciaria esta visão desesperadora concorda? Se cada semáforo que o ônibus parou segurasse ele um segundo a mais eu o teria pego, certo? Mas não, o universo calcula cada segundo, cada milésimo para o ônibus passar EXATAMENTE NA SUA FRENTE. Se isso acontecesse uma vez na vida outra na morte tudo bem, mas tem uma frequência perturbadora. O engraçado é que raramente acontece em um dia que você esteja bem, ou com um ônibus que passe de cinco em cinco minutos, ou quando você está com tempo sobrando e pode atrasar alguns minutos. Quanto mais fudido você está, maiores as chances disso acontecer.
Ao ver o veículo passar, diversos pensamentos surgem na cabeça. Os mais comuns são os habituais xingamentos de uma típica reação nervosa. Tem uma forma que eu, particularmente, adoro: a irônica. “Que beleza, nada como perder o ônibus. Afinal, estou aqui de boa, animado, vou aproveitar para fazer amizade com a galera do ponto. Quem sabe nos abraçamos, pulamos e imendamos juntos o cântico ‘ahá, uhuu, o ponto é nooosso! Ahá uhuu o ponto é nooosso!'” Seja qual for a reação, imagino o universo rachando o bico da minha cara.

Mais uma arma do universo: o elevador

Exemplos dessa putaria de pequenas coisas irritantes é o elevador (breve terá um post só pra ele). Tem coisa pior que chegar cansado no prédio, ver o elevador no térreo te esperando e quando você vai abrir a porta ele sobe até o último andar? Só pode ser para irritar. O universo manda uma mensagem pro cretino do último andar apertar o botão um segundo antes de você chegar.
E quando estamos andando com pressa porque o ônibus passou bem na nossa cara e a porta do elevador fechou na hora que iriamos entrar e nos deparamos com um grupinho bem na nossa frente, ocupando toda a extremidade da calçada, se locomovendo a incríveis 0,5 km/h? E, por mais que tentemos, não tem jeito de ultrapassar. Dá ou não dá vontade de dar uma voadora com os dois pés nas costas de cada um?

Ó Senhor, dai-me paciência!

obs: (à lá final de filme história real, narrador contando) “Rafael escreveu este texto segunda-feira (25/05), final do expediente. No mesmo dia, ao sair da musculação, o ônibus dele passou bem na sua frente. Ele continua perdendo o ônibus até hoje.”

Published in: on maio 27, 2009 at 3:39 pm  Comments (17)  

Qual é pior: inferno ou São Paulo?

A cara de frutrado já diz tudo. São Paulo deu uma surra no inferno

A cara de frustrado já diz tudo. São Paulo deu uma surra no inferno

 

O demo comparado ao ser humano tem se mostrado um santo

O diabo deve ter inveja dos diversos infernos criados pelo ser humano ao redor do mundo. A verdade é que o belzebu não teve muita criatividade ao criar o seu cafofo. Chamas, fogo, escuridão, enxofre. O que mais? Acabou? Agora vamos para São Paulo. É gente que não acaba mais. Fila para banco, para andar, para atravessar a rua, para carregar bilhete único, para comprar pão, para ir ao cinema, ao teatro, ao banheiro público, para comprar uma refeição, dirigir… Resumindo: para TUDO! Lúcifer, Lúcifer, como foi esquecer de pôr a fila no seu inferno? Que vergonha…

Segunda comparação: poluição da capital paulista ou enxofre do inferno? Quanto ao cheiro mesma merda. A poluição destrói sua saúde, o enxofre do coitado do demo não, já que você está morto lá embaixo. 2×0 pra sampa, é “nóis”! Não ouvi nada na bíblia sobre trabalhar no inferno. Em São Paulo? Puta que pariu haja trabalho. E 95% da população brasileira está na merda.

Com o que a galera do inferno se preocupa? Aqui preocupação tem de monte! Contas, saúde, horário, emprego (que apesar de ser uma merda é necessário, olha que bosta), trânsito, filhos, fome, guerra, impostos… Impostos! Temos que trabalhar quatro meses só para pagar impostos e quando precisamos dos serviços garantidos pelos tributos… Pau! Pegadinha do Malandro e mais uma fila para a coleção.

É diabo, você ficou para trás. Você que está lendo isso no inferno, aproveite e dê um abraço no coisa ruim, afinal, o ser humano tem se mostrado muito pior. (continua).

Published in: on maio 25, 2009 at 2:26 am  Comments (8)  

Apresentação

Bom, vou começar o primeiro post deste blog dando uma base geral do que vão encontrar aqui. Sou um dos cerca de 11 milhões de paulistanos. Estudei quatro anos para ter um diploma e tenho um emprego lá na casa do cacete. Pego metrô lotado todos os dias. Ônibus lotado todos os dias. Uma hora para ir, uma hora e meia para voltar. Sou um cara que de tão mau humorado fico engraçado, pois explicito os problemas de forma tão escraxada e verdadeira que torna-se hilária.

Aqui vocês vão encontrar bastante disso, comentem, xinguem, exponham a raiva. Se você não gosta de palavrões saia do blog, porque não medirei palavras para  minha ira, e você que comentar também esteja à vontade.

Hello world!

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Published in: on maio 24, 2009 at 9:27 pm  Comments (1)